O governo federal oficializou a criação da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos (BIP) e instalou seu Comitê Gestor, estabelecendo uma nova estrutura para organizar e monitorar investimentos voltados à descarbonização, energia renovável, infraestrutura crítica e adaptação climática. A medida foi publicada em portaria conjunta no Diário Oficial da União no dia 3 de dezembro.

A plataforma reúne representantes dos ministérios da Fazenda, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Minas e Energia (MME) e da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsáveis pela coordenação técnica e definição de critérios para seleção de projetos.

A iniciativa busca unificar políticas de financiamento climático e integrar fontes de recursos nacionais e internacionais, reembolsáveis e não reembolsáveis, alinhando parâmetros ambientais e de rastreabilidade adotados por fundos e investidores globais.

Prioridades da plataforma

A BIP foi estruturada para apoiar projetos com impacto direto na redução de emissões ou no aumento da resiliência climática. Entre as frentes consideradas prioritárias estão:

  • Ampliação da geração renovável, incluindo solar, eólica offshore, hidrogênio de baixo carbono e sistemas de armazenamento de energia;

  • Modernização industrial e iniciativas de eficiência energética;

  • Programas de mobilidade de baixa emissão, como eletrificação de frotas;

  • Projetos estruturantes de resiliência climática, restauração ambiental e uso sustentável dos recursos naturais.

Segundo a portaria, cada projeto deverá apresentar métricas verificáveis de impacto, de modo a garantir consistência técnica e transparência na avaliação.

Função do Comitê Gestor e papel do BNDES

O Comitê Gestor será responsável por definir critérios de elegibilidade, estabelecer prioridades e acompanhar resultados. Já o BNDES atuará como operador dos instrumentos financeiros vinculados à plataforma, incluindo linhas de crédito, blended finance e mecanismos associados a fundos multilaterais.

A expectativa é que o modelo facilite a organização do pipeline de projetos e reduza gargalos que historicamente atrasam empreendimentos de infraestrutura e energia.

Integração com o setor energético

A presença do Ministério de Minas e Energia no Comitê destaca a relevância de projetos energéticos no processo inicial de seleção. A expansão das fontes renováveis exige reforços em transmissão, armazenamento e integração ao Sistema Interligado Nacional (SIN), que depende de investimentos estruturantes e de estabilidade regulatória.

A plataforma pretende auxiliar na priorização de iniciativas consideradas críticas para a segurança energética de longo prazo, especialmente em áreas que ainda enfrentam limitações de licenciamento ou de coordenação institucional.

Relação com a política industrial

A estratégia da BIP dialoga com iniciativas de modernização industrial e de desenvolvimento de cadeias produtivas baseadas em tecnologias limpas. A expectativa é que projetos com alto potencial de inovação, competitividade internacional e geração de empregos qualificados recebam atenção nas primeiras rodadas de análise.

Com a publicação da portaria, o próximo passo será a definição das diretrizes operacionais e a abertura para apresentação de projetos com maturidade técnica suficiente para mobilizar recursos privados.


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Fonte: Cenário Energia. Governo Centraliza Estratégia de Investimentos Verdes com Lançamento da Plataforma BIP. Acesso em 03 de dezembro de 2025.