Análise realizada pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), com base em dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), indica crescimento expressivo dos afastamentos do trabalho decorrentes de transtornos mentais no Brasil. Os registros consideram benefícios concedidos para afastamentos superiores a 15 dias, no período de janeiro de 2023 a novembro de 2025.
De acordo com o levantamento, os afastamentos praticamente dobraram no intervalo analisado, refletindo o aumento de diagnósticos relacionados a ansiedade, depressão, estresse grave, uso problemático de álcool e síndrome de Burnout. Outros quadros, como psicoses e transtornos do humor, também aparecem de forma recorrente e apresentam relação com a rotina laboral.
Os dados mostram que, em 2023, foram concedidos 219.850 benefícios por transtornos mentais. Em 2024, esse número subiu para 367.909 e, em 2025, atingiu 393.670 concessões até novembro, representando um aumento de 79% em comparação com o total registrado em todo o ano de 2023. O impacto financeiro acompanhou essa evolução, ultrapassando R$ 954 milhões em custos previdenciários no último ano avaliado.
Entre as causas, os transtornos de ansiedade aparecem como o principal fator isolado de afastamentos, respondendo por cerca de 40% dos registros em 2025. Os transtornos depressivos, somados os episódios depressivos e o transtorno depressivo recorrente, concentraram quase metade dos benefícios concedidos no período, configurando o maior impacto global entre os quadros de saúde mental.
A síndrome de Burnout apresentou o maior crescimento percentual no triênio, com os registros passando de 1.760, em 2023, para 6.985, em 2025. O avanço coincide com a adoção gradual da Classificação Internacional de Doenças – CID-11, que passou a reconhecer o Burnout como um fenômeno estritamente ocupacional, associado ao estresse crônico no trabalho, o que contribui para maior clareza na caracterização do nexo entre adoecimento e atividade laboral.
O levantamento também aponta que a maioria dos benefícios concedidos está relacionada à incapacidade temporária, especialmente o auxílio-doença. No entanto, houve crescimento relevante nos casos de incapacidade permanente, com aumento das aposentadorias por invalidez vinculadas a transtornos mentais. Regionalmente, o Sudeste concentrou mais da metade dos afastamentos registrados em 2025, seguido pela região Sul.
Os resultados reforçam a relevância do monitoramento das condições de trabalho e da adoção de medidas preventivas voltadas à saúde mental, com foco na identificação precoce de riscos psicossociais e na gestão adequada das rotinas laborais.
A Omnia atua no acompanhamento de requisitos legais e normativos relacionados à saúde, segurança e bem-estar no trabalho, auxiliando empresas a interpretar obrigações aplicáveis, estruturar controles internos e apoiar a prevenção de riscos ocupacionais, contribuindo para a conformidade legal e a gestão responsável das relações de trabalho.
Fonte: ANAMT. Levantamento da ANAMT revela crescimento de afastamentos por problemas de saúde mental. Acesso em 30 de janeiro de 2026.
